sete.
Não fosse o cliché e diria que cheguei a uma encruzilhada no meu caminho. Cheguei ao momento que marca o fim do princípio.
Um ciclo de sete anos chega ao fim.
Sempre acreditei na magia do número sete não fosse ele a imagem de tudo aquilo que, na terra, simboliza a perfeição. Conhecemos as 7 notas musicais, as 7 cores do arco-íris, os 7 pecados mortais e 7° dia - aquele em que Deus descansou depois de ter criado o céu e a terra; o dia e a noite; o sol, a lua e as estrelas; o homem e a mulher. Até no mar tempestuoso, a 7° onda é a mais forte, a mais destruidora, a mais poderosa, aquela que fecha um ciclo de demonstração de força e de poder.
Fecho um ciclo de coração aberto e muita saudade, o exemplo puro que, ao longo dos anos, nem sempre fazemos o que gostamos de fazer mas que muitas vezes fazemos o que temos de fazer. Há capítulos da nossa vida que são preenchidos por páginas tristes; capítulos que, desde o inicio, conseguimos adivinhar que dificilmente podem ter um final feliz e que nos marcarão muito tempo depois de terem sido lidos.
É um erro pensar que só existe saudade do que aconteceu. É mentira. A saudade também existe para aquilo que quase aconteceu e para todos os sonhos que não nos deixaram realizar.
Na vida, existem coisas que não queremos que aconteçam mas temos que aceitar. Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender. E pessoas sem as quais que não podemos viver, mas temos de nos separar.
Relembrarei todos os momentos com algumas pessoas que se tornaram parte do meu coração, por tudo quanto dividimos, cada gargalhada que demos, cada momento de tensão partilhado. Levarei o melhor dessas pessoas que se tornaram tão especiais e usá-las-ei como exemplo e referência aonde quer que eu vá.
Confesso que talvez não fosse isto que eu queria mas seguirei o meu caminho. Sei também que não podia ser de outra maneira. Talvez eu tenha finalmente percebido que há muito que chegara àquele ponto perigoso em que equacionava o bom que é ter medo do desconhecido e o mau que pode ser entrar em pânico por causa dele.
A verdade, é que a sociedade está construída de forma a valorizar as coisas em detrimento das pessoas, baixando a auto-estima do ser humano e anulando a capacidade deste acreditar em si próprio. Estamos a ficar tão habituados a ser reduzidos à condição quase-humana que há muito que perdemos a capacidade de nos valorizarmos a nós próprios.
Mas nossa maior conquista é a libertação de tudo aquilo que nos fez reféns.