Passou o Natal, aquela época do ano em que é socialmente obrigatório sermos felizes e mais humanos nem que seja por respeito ao histórico acontecimento de há mais de 2000 anos atrás numa qualquer manjedoura perdida pelas terras santas de Belém.
Reza a história que alguns dias depois, guiados por uma estrela, três reis magos vindos do oriente percorreram o mundo para marcar este momento histórico trazendo Ouro, Incenso e Mirra.
Ouro, porque tinha nascido um Rei. Incenso porque tinha nascido um Deus. E Mirra, porque tinha nascido alguém que iria sofrer e morrer como os Homens.
Alguém como nós. Como os Homens comuns e desconhecidos que connosco se cruzam diariamente e os quais observo, em silêncio, questionando-me que segredos, que angústias, que alegrias, que histórias de vida encerram.
Muitos me questionam pelo porquê da minha paixão pela fotografia a preto e branco. A verdade é que ao nos abstrairmos da cor, nos concentramos naquilo que a fotografia nos transmite e que de mais puro e intenso a vida nos dá: emoção, verdade e sentimentos.
O Natal é uma época em que ouvimos falar muito de solidariedade, que sendo uma palavra quase tão explorada quanto a palavra Amor, acaba por nos distrair desta sociedade que transforma o homem, o mensageiro da boa-nova, a vida, num ser odioso, irritantemente vivo e revoltado contra o seu semelhante.
É também os últimos cem metros de um ano que é sempre uma verdadeira maratona e onde ganhamos fôlego para o início de um novo ciclo na energia acumulada em sonhos feitos de abóbora. Um ciclo com novos objectivos. Com novos desafios. Com novas metas.
Há anos que nos trazem perguntas e anos que nos dão respostas. 2019 trouxe-me e deu-me tudo isso. Trouxe-me perguntas que eu não quis fazer, deu-me respostas que eu não quis ter. Trouxe-me perguntas para as quais ainda não tive resposta mas, acima de tudo, foi um ano pródigo em respostas para as perguntas que insisti em fazer. E nem todas foram as que quis ouvir.
Como disse o Principezinho, "só quando se acredita, se conhece. Só quando se acredita nas pessoas elas se transformam naquilo que são". E esta é, sem dúvida alguma, a grande lição para 2020.
